EMPRESA

A GS Lines  é o mais antigo armador português, constituído em 1907, sob a denominação de Empresa de Navegação Madeirense, a operar a linha marítima entre Portugal Continental e a Região Autónoma da Madeira.
Em 2018, junta-se a linha marítima de carga entre Portugal Continental e a Região Autónoma do Açores.
A GS Lines opera 4 navios nestas linhas e transportou, em 2018, 63.163 TEUs.
Os serviços da GS Lines e da PCI (armador do Grupo Sousa) complementam-se, garantindo o transporte marítimo, nos mercados internacionais, com 8 navios e também em Cross Trade.

HISTÓRIA

Corria o ano de 1907, o louco início do século XX! Em plena monarquia, e ainda faltando quase uma década para a Primeira Grande Guerra, um madeirense com espírito arrojado pensou que a Madeira precisava de um transporte regular (na época, seria mais ou menos regular) entre a ilha e a capital do Reino. Esse homem chamava-se João Martins da Silva e, a 18 de Maio daquele ano, registava, na Capitania do Porto do Funchal, a escuna “Esperança”, que entretanto havia adquirido, com o nome de “Senhora da Conceição”.


Pintura do veleiro “SENHORA DA CONCEIÇÃO” (1907-1917), primeiro navio a integrar a frota da Empresa de Navegação Madeirense in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 9 , imagem 09.

Podemos considerar que este foi o primeiro navio da Empresa de Navegação Madeirense, apesar de não ter sido registado em seu nome. O primeiro navio registado foi, em 1927, e batizado de “Funchalense I” (o antigo “Everhard”), sendo o primeiro navio a motor a fazer a carreira Funchal – Lisboa.


“FUNCHALENSE” fotografado a navegar ao largo da costa Sul da Madeira in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 29, imagem 35.

Desde o “Senhora da Conceição” até ao “Funchalense I”, passaram pela frota da Empresa de Navegação Madeirense, a escuna “Senhora do Monte” (ex “CE Lyon” – 1912 ) e o palhabote “Ilha da Madeira” (ex “Palma” – 1926). Aparece, pouco depois, o “Madeirense I” (ex “Cimbria” e ex “Grinpen”) registado pela Empresa de Transportes do Funchal, empresa “irmã” da Empresa de Navegação Madeirense.  Curiosamente, iniciava-se aqui uma tradição que continuou ao longo da existência autónoma das Empresa de Navegação Madeirense e Empresa de Transportes do Funchal: navios com o nome “Madeirense” eram registados em nome da Empresa de Transportes do Funchal e, os batizados como “Funchalense” eram registados pela Empresa de Navegação Madeirense.

Porto do Funchal no início dos anos quarenta, vendo-se atracado o “MADEIRENSE” e, na sua proa o “GORGULHO” da Parceria Geral de Pescarias in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 34 , imagem 41.

 

Os primeiros “Funchalense” e “Madeirense” asseguraram as exigências do mercado durante os anos trinta e quarenta do passado século, tendo, inclusive,  durante a Segunda Guerra Mundial, o “Madeirense” escalado portos do Mediterrâneo, Norte de África e Brasil ao serviço da Cruz Vermelha Internacional.
 
Após a Guerra, a Empresa de Navegação Madeirense encomendava, aos Estaleiros de Viana do Castelo, o “Funchalense II”, que iria substituir o seu homónimo de 1927. Com 12 tripulantes e com capacidade para 8 passageiros, era o primeiro navio construído propositadamente para a Empresa de Navegação Madeirense. Este navio, em conjunto com o “Madeirense I”, assegurou o tráfego até aos anos 60.


Navio motor “FUNCHALENSE II” quando da entrada ao serviço em 1953, mostrando as suas linhas elegantes evidenciadas pelo casco branco in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 49, imagem 51.

Na década de 60, a Empresa de Navegação Madeirense encomendou, aos Estaleiros de São Jacinto, dois gémeos: “Madeirense II” e “Funchalense III”, que substituíram os respetivos homónimos em 1962 e 1966, respetivamente. Eram dois elegantes navios, tipo “fruit carrier”, com capacidade para 12 passageiros, especialmente concebidos para o transporte da banana da Madeira para o Continente que, até meados da década de 80 do passado século, ligavam semanalmente os portos de Lisboa e Funchal. Nos fins dos anos 60 dispunha a Empresa de Navegação Madeirense de quatro unidades: “Madeirense”, “Funchalense”, “Ilha de Porto Santo” e “Ilha da Madeira”.

Lançamento à água do “FUNCHALENSE III” a 15 de Abril de 1968 in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 90, imagem 95.


“MADEIRENSE” a descer o Tejo carregado a caminho do Funchal na fase final das viagens semanais com carga geral. in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 103, imagem 112.

Após 1974 dá-se um grande desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira que, associado às mudanças que alteravam as principais características do transporte marítimo internacional – com o progressivo abandono dos navios de carga geral, para passarmos a ter navios especializados, acompanhado pelo exponencial desenvolvimento do transporte contentorizado – “obrigam” a Empresa de Navegação Madeirense a adaptar-se às exigências do mercado.

Entre 1988 e 1990, o Grupo Sousa adquire a totalidade das quotas da Empresa de Navegação Madeirense aos diversos acionistas, até então existentes.

A partir de 1981, primeiro, através de navios fretados e, depois, com navios próprios, a Empresa de Navegação Madeirense garante ligações regulares de navios porta-contentores entre os portos de Lisboa, de Leixões e do Funchal.
Passaram muitos navios por estas linhas, sendo de salientar a saga dos “picos”: “Pico Ruivo”, “Pico Grande I” e “Pico Grande II”, “Pico Castelo I” e “Pico Castelo II”.

Salientemos o “Pico Castelo II” (ex Nivi Ittuk – 1973) que foi, neste século, o maior navio da Empresa de Navegação Madeirense com os seus 135,10 metros de comprimento e as 7.500 Ton de porte. Este tinha sido um navio de apoio às comunidades científicas do Ártico, pelo que possuía excelentes alojamentos que possibilitaram, no final dos anos 90, o regresso ao transporte de passageiros via marítima entre o Continente e a Madeira. A Empresa de Navegação Madeirense transformou algumas das suas grandes câmaras frigoríficas em garagens que, em conjunto com uma rampa lateral, possibilitavam o carregamento das viaturas ligeiras em sistema RORO. Infelizmente, uma grave avaria do motor principal, durante uma viagem sob péssimas condições meteorológicas, entre o Funchal e Lisboa, em Março de 1998, levou à retirada deste navio da operação.


A carreira semanal contentorizada Funchal – Lisboa foi assegurada pelo “PICO RUIVO” de 1983 a 1987. in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 108, imagem 120.

Em 1987 o “PICO GRANDE” passou a fazer a carreira Funchal – Lisboa. O navio serviu a Empresa de Navegação Madeirense até 2000 in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 108, imagem 121.

Para substituir o “Pico Castelo II” foi fretado o navio “Caroline Schulte” (1997) que, devido às boas provas dadas, foi adquirido em Dezembro de 1998, passando a chamar-se “Funchalense IV”.

O porta contentores “FUNCHALENSE” foi adquirido em 1998 para a linha Funchal – Leixões. in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 115, imagem 132.

Outra modificação originada pelo avanço da tecnologia, bem como uma maior exigência com a entrada de Portugal para a Comunidade Europeia, foi a obrigatoriedade do transporte da banana ter de ser a uma temperatura de 12º Celsius. Estas disposições obrigaram a empresa a usar um navio frigorifico, primeiro durante os meses de Verão e, depois, durante todo o ano. De 1984 a 1990 foi usado o navio fretado “Walili”.

Navio frigorífico “WALILI” largando do Funchal para Lisboa com bananas in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 110, imagem 123.

A partir de 1991, a Funchal Frio, empresa associada da Empresa de Navegação Madeirense, adquiriu dois navios frigoríficos: o “Pico Frio” (ex Tama Rex) e o “Atlas Frio” (ex Luso Frio), que operaram no mercado até o transporte da banana também passar para contentores frigoríficos.

Com o crescimento do mercado, foram aparecendo neste tráfego outros armadores que fizeram com que fosse necessário racionalizar meios para salvaguardar a rentabilidade das empresas. Sem nunca abandonar o mercado de Lisboa, sempre quis a Empresa de Navegação Madeirense assegurar, e privilegiar, as cargas originadas ou destinadas ao Norte do país, através do porto de Leixões, assumindo-o como seu mercado privilegiado. Para se racionalizarem os meios, passaram os navios da Empresa de Navegação Madeirense a escalarem o porto de Leixões, carregando a carga de Lisboa em “slot spaces” noutros armadores.

Este aumento do mercado fez com que o “Funchalense III” se tornasse pequeno para o tráfego Leixões-Madeira, pelo que, já desde 2005 se procurava um navio que servisse a linha para as necessidades da altura, bem como numa perspetiva de evolução futura. No mercado não havia navios disponíveis, quer para comprar quer para afretar, pelo que só em Janeiro de 2006 se conseguiu garantir a compra de um navio, “CMA CGM Caracas”, mas que só estaria liberto para operar em Dezembro de 2006, tomando nesta altura o nome de “Madeirense 3”.

O crescimento da linha de Leixões obrigou à substituição em 2006 do “FUNCHALENSE” por um porta contentores com maior capacidade, baptizado MADEIRENSE 3. in Empresa de Navegação Madeirense 1907-2007, Luís Miguel Correia, pág 118, imagem 137 a 138.

Com a entrada ao serviço do “Madeirense 3”, ultrapassaram-se as dificuldades que se vinham a sentindo, no porto de Leixões, na operação do “Funchalense” pela Empresa de Navegação Madeirense, o qual já não conseguia corresponder a toda a solicitação de cargas para embarque, originando o desvio de contentores para embarcarem pelo porto de Lisboa. Este facto tinha reflexos negativos, não só para a Empresa de Navegação Madeirense, mas também para os seus clientes.

Em 2010, a Empresa de Navegação Madeirense adquiriu o “Funchalense 5”, navio moderno, que tem a sua escala inicial, em Portugal, a 17 de Agosto de 2010. Com os seus 443 TEUS efetivos e mais de 5.500 tons de capacidade de carga, garantia o transporte de toda a carga previsível para o futuro próximo. Também a velocidade do “Funchalense 5”, que pode atingir 18,5 nós, garante o cumprimento rigoroso dos itinerários estabelecidos, o que já vinha a acontecer com o “Madeirense 3”, mas com uma margem de segurança muito maior.

Estas duas variáveis (capacidade e velocidade) conjugam-se no sentido de prestar um sentido de elevada qualidade à Região Autónoma da Madeira, percebida pelos nossos clientes, que em boa verdade serão os principais beneficiários deste importante investimento. O que é a evolução de uma empresa  (e do mundo): Em 83 anos (desde o nosso primeiro navio a motor) passámos do “Funchalense I”, que transportava cerca de 300 toneladas de carga e fazia a viagem Lisboa – Madeira em cerca de 4 dias, para o “Funchalense 5” que pode transportar mais de cinco mil toneladas de carga e pode efetuar a mesma viagem em cerca de 28 horas.

No ano de 2010, o Grupo Sousa adquire o armador Boxlines, responsável  pela ligação marítima entre Portugal Continental e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Este aporte de experiência foi fundamental para o crescimento do Grupo Sousa, na cobertura das linhas marítimas no mercado nacional.

Em 2015, o Grupo adquire a PCI, que opera atualmente as linhas internacionais entre Portugal, Algeciras, Las Palmas, Cabo Verde e Guiné Bissau com um navio próprio (N/M Raquel S – o maior e mais moderno navio porta-contentores detido por armadores nacionais), e 3 afretados.

Em 2019, o serviço de transporte de mercadorias entre Portugal Continental e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, passa a ser feito pela GS Lines, que opera quatro navios, sendo dois navios próprios (Funchalense 5 e Laura S) e dois afretados.